Na reunião de câmara desta segunda-feira, 31 de agosto, foi anunciado que o presidente Luís Filipe Menezes deu ordem para preparar a saída da STCP de Gaia até 31 de dezembro.
Quase um ano depois da tomada de posse deste Executivo, os transportes em Gaia não melhoraram — e podem estar prestes a piorar.
Ainda estamos a recuperar da última mudança de operador — a entrada em vigor da Unir. Em 2025, o lote da rede UNIR que serve Gaia e Espinho cumpriu 73,10% das viagens programadas. Uma em cada quatro viagens simplesmente não existiu, e isto nem sequer conta as carreiras que faltam programar ou que precisam de mais frequência. Nos restantes lotes da Área Metropolitana do Porto, a taxa ficou acima dos 98%. No inquérito aos utentes da UNIR, Gaia ficou em último lugar da AMP em todos os indicadores. No mesmo indicador (viagens realizadas sobre viagens previstas) os autocarros da rede STCP cumpriram 90,9% em 2025.
Viagens realizadas sobre viagens previstas, 2025
UNIR — lote que serve Gaia e Espinho
STCP
No inquérito aos utentes da UNIR, Gaia ficou em último lugar da AMP em todos os indicadores.
É neste contexto que se pondera cortar precisamente na parte da rede que funciona.
Primeira: não é isto que está no mandato. O que a coligação apresentou a sufrágio foi uma alternativa ao modelo de transportes em Gaia, incluindo uma empresa municipal de capitais mistos. Melhorar a UNIR foi proposto por várias forças políticas. Acabar com a STCP não foi proposto por ninguém.
Segunda: não é uma troca de operador, é um corte de serviço. O despacho fala em “carreiras alternativas de ligação ao Metro de Gaia”. Ou seja: menos ligações diretas ao Porto, mais transbordos, mais tempos de viagem. Mais ligações ao Metro são boas, mas serão a solução em todos os pontos da cidade? Estes autocarros estão a ser usados. Alguém falou com os utentes?
Terceira: Quanto se poupa, afinal? Ninguém apresentou um estudo, um custo comparado ou um plano de rede. Repare-se na ordem: o prazo de 31 de dezembro foi fixado primeiro, a análise pedida depois. E a análise pedida é sobre se a saída é juridicamente possível, não sobre se a rede que fica ao fim serve as pessoas. Perguntamos publicamente: qual é o valor da poupança e à custa de que serviço?
Não é definitivo! Há tempo para uma ponderação séria desta medida, e é agora que as pessoas se têm de fazer ouvir. Quem é que se sente melhor servido pelas carreiras da UNIR do que pelas da STCP?
Faz-te ouvir! — aqui, e manifesta-te falando na Câmara e na Assembleia Municipal de Gaia.
A mobilidade não se decide de forma avulsa — decide-se de forma integrada e participada. Já o dissemos a propósito de outras decisões desligadas no concelho, e esperávamos que não voltasse tão cedo a ser relevante.