Air Invictus: um terço da Cultura de Gaia num evento de três dias

O Bloco de Esquerda considera injustificável a forma como a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia financiou o Air Invictus 2026.

O orçamento total da Cultura em Gaia para 2026 é de 2,9 milhões de euros — para o ano inteiro, para todas as bibliotecas, festivais, património e coletividades do concelho. Só o apoio direto ao Air Invictus foi de 425 mil euros, aprovado por maioria na reunião de câmara de 24 de fevereiro (Ata n.º 08). Corresponde a cerca de 15% de toda a verba anual da Cultura, atribuída a um evento de estreia e sem histórico.

A este valor acresce o apoio indireto — tendas, sanitários, geradores, som, promoção e policiamento municipal. Questionado sobre este ponto, o vice-presidente Firmino Pereira reconheceu em reunião pública que esse apoio não está contabilizado e que seria assumido pela Câmara. O vereador João Paulo Correia alertou que a soma pode ultrapassar um milhão de euros. A confirmar-se, o custo total do evento aproximar-se-ia de metade do orçamento anual da Cultura de Gaia, gasto em três dias.

A comparação é inevitável. O Marés Vivas, com 300 mil euros de apoio municipal, reunia mais de 120 mil pessoas por edição e tinha treze anos de história em Gaia. Foi extinto e transferido para outro concelho. O executivo escolheu retirar apoio a um festival consolidado e concentrar meios num evento único, cujo custo final ainda ninguém soube quantificar.

Para o Bloco de Esquerda, dinheiro público de Cultura deve servir a cultura que já existe e é da comunidade: bibliotecas de bairro com horários dignos, bolsas para artistas de Gaia, apoio às coletividades e associações que se sustentam há décadas com sócios e voluntários, e programação acessível a quem não pode pagar bilhete.

Exigimos que a Câmara torne público o custo total do Air Invictus 2026, incluindo todo o apoio indireto, e que a Cultura de Gaia volte a ser tratada como investimento permanente e não como despesa de ocasião.

Bloco de Esquerda — Vila Nova de Gaia