O Bloco de Esquerda reconhece a mobilidade como um pilar essencial na construção de territórios inclusivos e sustentáveis, fundamental para garantir verdadeiramente outros direitos como a educação, a saúde e o trabalho. As autarquias assumem um papel central na promoção de sistemas de transporte público eficientes e acessíveis, que privilegiem modos suaves de transporte, criando cidades mais verdes, limpas e descongestionadas. No fundo, vemos a promoção de meios públicos de transporte como progressista para uma cidade de futuro onde se vive com qualidade.
A trajetória de redução tarifária, no caminho da gratuitidade, começando pelos transportes urbanos, é parte desse caminho de futuro. Muitas cidades optaram por começar esse trajeto de redução tarifária, e gratuitidade, por faixas etárias - jovens e idosos. Vila Nova de Gaia optou também por esse caminho.
Reconhecemos, no entanto, que entre o objetivo de amanhã e as medidas que são possíveis hoje, há um espaço de trabalho político comum que exige a avaliação de impacto das diferentes opções, não só nesse caminho, mas no que provocam hoje. Percebemos que a opção por começar esse caminho por condição económica, e não por faixas etárias, é também uma estratégia possível, e que deve ser avaliada. No fundo, começar por quem mais precisa é um argumento a que somos sensíveis (pese embora possa ser difícil essa avaliação).
Contudo, a decisão do executivo da Câmara de Vila Nova de Gaia de suspender o programa ViverGaia+65, tem vários problemas:
- ao efetuar a suspensão nos meses de Janeiro e Fevereiro para toda a gente, sem aviso, prejudica sobretudo aqueles que mais precisam, ou seja, impacta negativamente precisamente aqueles que diz querer apoiar. Na prática este é o efeito imediato, contrário ao que propõe, ainda que se proponha no futuro a resolvê-lo;
- ao anunciar que fará uma reestruturação do programa com base na condição económica, deveria então retirar a limitação de idade, caso contrário, aquilo que estará a fazer é reduzir o público alvo, e portanto a inverter o caminho progressista semelhante ao de outras cidades europeias - o caminho de redução tarifária e de aproximação à gratuitidade;
- anunciar uma decisão destas na véspera de Natal num texto no facebook, com o tom que é feito, é contrário ao que é um processo democrático, transparente, que envolve a comunidade e se preocupa com quem mais precisa.
A Câmara de V. N. de Gaia deve ser uma entidade reivindicadora a nível nacional e metropolitano da aposta na mobilidade e no caminho para a redução tarifária - as e os Gaienses são quem mais tempo e dinheiro gasta em deslocações diárias, devido ao trânsito e às características de mobilidade deste que é o concelho mais populoso da região norte. Portanto, tudo deveríamos fazer para fomentar o uso de transportes públicos, desde a sua melhoria em termos de frequência e cobertura geográfica, à diminuição do seu custo, para que mais pessoas escolham esse meio e assim se caminhe para uma cidade com mais qualidade de vida e de ambiente para toda a gente. Precisamos de o fazer em conjunto, para o progresso do nosso concelho.