Skate Park em Gaia: uma oportunidade desperdiçada?

Em 2014, o movimento Sk8Gaia criou uma página no Facebook e lançou uma petição pública a apelar à Câmara Municipal de Gaia para a construção de um skate park. Na altura, denunciava-se a inexistência de qualquer infraestrutura com condições mínimas para a prática deste desporto, situação que levava crianças e jovens a procurar, por iniciativa própria, locais alternativos  inapropriados e inseguros, como parques de estacionamento de supermercados ou fábricas abandonadas, sem apoios nem condições de segurança. O movimento defendia que Gaia deveria ser pioneira e avançar com a construção de um skate park. Ainda assim, passados mais de dez anos, em todo o concelho apenas foi instalada uma rampa de skate no Parque da Ponte Maria Pia.

Apesar deste histórico de carência, Gaia esteve finalmente perto de ter o seu primeiro skate park, em Canidelo. No entanto, com a obra já em fase avançada e próxima da conclusão, o novo executivo decidiu suspendê-la, anunciando a sua transferência para outro local. A decisão foi justificada com a alegada disrupção junto dos moradores e o impacto no trânsito da zona, tendo sido também afirmado que está fora de questão o funcionamento do parque durante a noite.

Esta opção levanta sérios problemas. Desde logo, porque estavam igualmente previstas outras infraestruturas desportivas, como redes de basquetebol. Acresce ainda o desperdício de dinheiros públicos: a obra encontrava-se praticamente concluída e a sua suspensão deixa em aberto um destino incerto, podendo implicar novo investimento, sem garantias de que o futuro local seja tão adequado. Uma inversão de orientação desta dimensão deveria ser precedida por um período de consulta pública, aberto, transparente e acessível a toda a população, e não ter apenas um anúncio repentino.

Por outro lado, é preocupante a visão de que este tipo de equipamento deva encerrar ao final do dia. O concelho precisa de mais espaços de convívio acessíveis e não dependentes do consumo, incluindo parques públicos. Não servem à população equipamentos que fecham às 18h e não podem ser usufruídos de forma alargada. A segurança constrói-se com espaços vividos, boa iluminação e políticas sociais adequadas, e não com a eliminação ou limitação de espaços comuns.

Perante esta situação, o Bloco de Esquerda apresentou um pedido de informação ao município para esclarecer o enquadramento da decisão, o destino da obra e os dinheiros públicos que poderão estar em causa. Vários cidadãos preocupados com a escassez de equipamentos desportivos informais no concelho têm manifestado a sua consternação, e o Bloco de Esquerda está solidário com essas preocupações. Uma cidade viva é uma cidade com oferta variada, acessível e pensada para todos. O município dispõe agora de alguns dias para responder e, entretanto, apelamos à reversão desta decisão. Caso exista uma justificação técnica válida (o que levantaria, ainda assim, questões sobre a decisão inicial), apelamos a que seja garantido um novo local igualmente apelativo e adequado ao público a que este equipamento se destina - e que discutam a nova localização com o mesmo - não muito longe do sítio original, uma vez que foram criadas expectativas nas pessoas sobre um equipamento a que iriam ter acesso. Uma inversão de orientação desta dimensão deveria ser precedida por um período de consulta pública, aberto, transparente e acessível a todos os interessados.